terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dois amores


Você ama Paulo e Bruno. E acha que está ficando louca.
Amenize esse diagnóstico. É possível - e nem tão raro assim - amar duas pessoas ao mesmo tempo. Este " ao mesmo tempo" lhe dói, não parece coisa de gente séria, mas lembre-se: você ama de maneira diferente. Ninguem possui o poder de saciar 100% outra pessoa. Nesses vácuos é que nascem outros amores.
Você ama Paulo e sua ternura, ama Paulo e seu poder tranquilizante, ama Paulo e a segurança que ele lhe dá, ama Paulo em baixa velocidade, ama Paulo a passeio, apreciando a vista.
Bruno ao contrário, é mais agitado, desperta em você ansiedade e adolescência, você ama o que Bruno faz com você, e do jeito que faz: com pegada, sedutoramente.
Você ama o que Paulo tem de paz e o que Bruno tem de selvagem, você ama o que cada um deles lhe completa.
O normal seria isso, amarmos mais de um para alcançarmos integralmente a nós mesmos, mas a regra é clara: não mesmo. Se vire com um só.
E a gente obedece, reza, livrai-nos de todo o mal, ó Pai.
Escolhe um, ama-o, mas sente falta de sí mesmo, de desenvolver um outro lado que este amor ínico não atinge. Separa, casa de novo, agora é outro amor, ama, e ainda não se sente totalmente preenchida. Um dia acontece: Dois amores. Um mais constante, outro de vez em quando. Um amor adulto, outro divertido.
Tudo isso existe, persiste, insiste em acontecer. Tudo por baixo dos panos, tudo velado, mentido, confessado apenas nos consultórios de analistas e nas mesas de bar, entre amigos de muita confiança. Será que algum dia poderemos falar disso abertamente, em voz alta, fora dos livros, na vida cotidiana da gente? Enquanto ninguem se atreve, mulheres e homens que atravessaram a fronteira da monogamia seguem felizes da vida - e infelizes da vida.

Um comentário:

Cynthia disse...

Eu acho sim,que seria mais FÁCIL amar mais de duas pessoas até se sentir completo.Mas precisamos ter um grande conhecimento sobre nós mesmos para sabermos o que seria isso que completa.
Então eu acredito que uma pessoa possa ser suficiente sendo já oposta ao que eu sou.
E talvez acreditar que uma pessoa seja o suficiente é o motivo de tantos encontros e desencontros por aí.
Tem coisa que a gente não escolhe!

=**